14/09/2013

INDEFINIÇÕES

Ainda me lembro e me esqueço que já fui criança. Ainda me lembro e me esqueço que já fui jovem. Ainda me lembro e me esqueço que apenas… sou. ser outra vez aquilo que só o sonho viveu, ser outra vez filho do céu, ser outra vez poesias do coração, ser outra vez o puto pela mão, ser outra vez perdido e achado, ser outra vez ego quebrado, ser outra vez a procura que cansa, ser outra vez enlace da mesma dança, ser outra vez cansaço findo, ser outra vez vara de limbo, ser outra vez a mão da existência, ser outra vez incomum na insurgência, ser outra vez metade do produto a meio, ser outra vez pedaço de lábio em teu seio, ser outra vez insano do sacrilégio que gira, ser outra vez o que não fui… e mais ninguém me tira.

21/03/2012

Marta a prostituta privilegiada

O resto de uma luz permanecia triste e imóvel, como se fosse algo físico timidamente transparente atrás de uma cortina de nevoeiro, soltaram-se irritadas as linhas da estrada trespassadas pela borracha negra que ia escasseando pelo avanço da noite, assemelhando-se a uma caverna engolindo na ceia os cada vez mais raros dinossauros de chapa roncando na penumbra em alcatrão, chegou o cheiro a enxofre no arrepiar das horas transbordando maleitas de refractários, chegou o fardo que carrega dissabores na obrigação de amealhar migalhas de ar a cada noite, ao colo de Marta.
Alguém por trás, no ontem distante já fora menina, mas, desfigurada pela vida de rua, tornara-se prostituta de linha jarreta, contraiu o sorriso macilento atrás das olheiras borradas de cor púrpura invejando a concorrência e enciumada com cheiro a perversa, despediu-se do ácido estomacal que lhe irritava a garganta abanando uns safanões de má-língua, porém, acomodada com as amplas diferenças entre elas, desandou até novas paragens, onde a concorrência seria figuradamente mais equitativa, não sem antes, seguir com um resto de olhos riscados de iniquidade e chamejantes de cólera os saltos altos da outra, que bem mais favorecida de atributos, foi rompendo capas num vaivém de uma dezena de metros entre a árvore vestida e a esquina do asilo melancólico, que não passava de albergue sebento da comodidade incómoda, da condição humana, obviamente…
Para lá e para cá, aquela figura modelo peralta, lá foi arrastando oásis de fêmea parecendo quase pudica, teimando em menear feitiço esculpido de imagem mitiga ao incauto dos predadores.
Marta realmente era diferente por isso apinhava iras, algumas vozearias de quem tem muita dor de cotovelo, enquanto se desenhava na noite perfumando as estrelas numa profissão errata e devassa. Assemelhava-se a quem notasse como um anjo transgressor com olhar discreto e sensual, mas, esse olhar, impreciso na incompatibilidade entre o parecer e o ser, conquistava as cegueiras das criatura doando-lhe prazeres, repenicava-os das sombras transfigurava-os em machos polindo-lhe as arestas viciadas com luxúria, e noite após noite, as felicidades momentâneas deles, eram o escravizo da sinuosidade errante que se perpetua na tela de um pintor cadente… mas génio.
O chamariz pegaria como sempre pegava quando alguém se sinta perdido entre lascívias e descontentamento de alma, entre o mal de amor e a fuga às inutilidades das intempéries mentais, entre aquilo que se é, na distancia a percorrer atrás da diferença e a aproximação da mesma, entre as necessidades do corpo e a insatisfação do mesmo no ceio da indisposição frequente. O chamariz pegaria e pegou no momento em que um suposto cliente oculto na neblina se aproximou de Marta esculpindo anéis de fumo de um cigarro em trânsito entre os lábios e os dedos da mão enluvada.
Testemunha das noites mantinha-se a árvore segurando os ramos familiares, cobertos de penugem fina para que não se perdessem por aí, como outro tipo de ramos o iam fazendo numa melancolia triste, doce e assustada! Já era mau, o que dia após dia, noite após noite a mãe árvore presenciava, por isso protegia a sua ramagem aos malefícios da boémia. Dizia-se pelos ventrículos do desconhecimento que até podia ventar, mas quando Marta chegava, aquela estúpida árvore acalmava o vento e a trabuzana, servindo como protecção a um novo ramo de alcunha “a prostituta privilegiada.”
Nessa noite, como adivinhando o fado, a árvore tremia e até Marta olhou para ela no cimo da sua grande sobranceria e pensou dando voz ao pensamento: -Que se passa contigo estúpida arvore?
Como ela não lhe respondeu, abanou as sensuais ancas e virou-lhe o rosto a tempo de ver uma estrela cadente cair quase a seus pés, agitou-se ainda mais a árvore, Marta olhou-a de novo de baixo a cima, entre a passada que se vai e o retorno do chamariz da folhagem, arrepiou-se abespinhada com pele de galinha, mas nem um ai pequeno e muito menos um AI grande conseguiu elevar, nem conseguiu fazer com que toda a noite se tornasse dia, exemplificando um náufrago que usa a pistola de sinalização como último recurso num mar de ondas agitadas e temerárias, só que esta, a dita pistola encravou… num silêncio tudo idêntico ficou a voz de Marta, porque a lâmina calou-lhe o som antes de ter aclamado piedade, antes mesmo de perceber as linhas do seu futuro aniquilado, antes até de pedir à alma abrigo das desvirtudes, mesmo ali, naquele momento improrrogável transfiguraram-se todos os ramos da “estúpida” árvore entrando em alvoroço, fazendo fé à defesa da irmandade aflitos no ceio de uma tragédia a acontecer, mas nada puderam fazer para evitar a desventura. O cigarro deixou subir nas alturas o seu último anel de fumo e selou o peito meio nu de Marta carimbando-lhe o negrume da morte, a faca espelhou na noite o seu aspecto assassino e regressou para dentro do embrulho gotejando sangue, na sua queda os braços perdidos da diva abraçaram o tronco despido da árvore, tentando a protecção sem tempo, para uma dádiva de vida definitivamente perdida. As passadas do anti-vida desceram ao inferno da invisibilidade na ligeireza inocule da indiferença e decapitando monstruosidade perderam-se na meia-luz. No momento seguinte a árvore apelidada de tantas vezes estúpida recolheu Marta, sofrendo como madona no contra natura da perda de um filho.
Contam por essas bandas, que aquela “estúpida arvore” agora tem novas manias…chora à noite e de dia recusa-se a sombrear os acalorados, sabe-se, que por nenhuma outra prostituta acalmou o vento, fala-se pelas escotilhas nómadas, que um dia destes se deixa morrer pelas saudades de Marta, a prostituta privilegiada que dizem continuar a passear-se entre a árvore doente e a esquina do asilo melancólico e sebento, para luzir nas noites esculpida de imagem mitiga ao incauto dos predadores, enquanto perfuma as estrelas.
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16/03/2011

Vejo-te ir...parece noite dissimulando nas sombras pequenas restias do nosso dia.
Apraz-me sentir uma uma paz sem defeito, é um ciclo fechado de onde as silhuetas já dormen de cansaço.
Mas, a metade partiu como laranja sem gomos numa acidez fora do tempo, tempo cronometrado por segundos anormais.
Pedir-te que voltes? Não!
Aprisionei o medo das distancias

06/09/2010

PRETÉRITO IMPERFEITO

Entre nós, o atípico estado inebrio, floresta de desejos, abraso de metáforas sinuosas.
Achei que nos víamos nas sondas subaquáticas de mente pérfida, seremos massa cinzenta ou teias sedosas de bicho borboleta em casulo hibernante.
Adorei rever-te após o teu novo TU, nas tuas vestes nuas de impedimentos.
Como faremos para entrelaçar nossos corpos no esvazio da mente, sem o passado que nos suga?

08/05/2010

Apresentação do Livro - "Da Alma Nada Se Sabe"

30/03/2010

Se não o fazemos, arrependemo-nos...



Onde vais pequeno céu, deslumbre de um futuro sem presente, porque não esqueces as horas dentro do módico orifício___________________ fala-me... diz-me que me amas, porque proteges o cariz completo sem vida?

Na tua face me enlevo, no teu circular de pétalas paridas me perco, nego o reter da promessa ao som pernoite ________________________ao dizer que te amo com afogo, porque as pessoas se cessam…

19/03/2010

PECADOS:::




às vezes mordo-me estranhamente em dilacerados objectos de validade [Zero]

às vezes serei prisão sem prisioneiro levitando manchas de solo vidrado [Quebrado]

às vezes sou quem tu queres, mas tu não me achas nos teus sopros de [Afectos]

tantas vezes os choros onde se deita a minha face, morrem na madrugada que não se avizinha [Ainda]

porque me chamas, se palavras não ouvidas pernoitam em léguas exageradamente tensas do objecto homem em forja moldado, vivo, em madeiro [Amortalhado]

27/02/2010

EFEITO BORBOLETA

Vento tão calado, intolero-te dentro de mim. Águas férreas corroem as minhas paredes internas, calo-me porque as palavras são de quem as conhece, obedeço-me porque não me sei contrariar.
Todo eu sou trauma…incendeio a minha pele a cada toque teu, salivo suor, a cada sono que não me adormece, estremeço na órbita, ou na falta de oxigénio, penduro a minha vontade, porque o arrasto fica próximo.
Todo eu sou trauma…mesmo quando fui criança um dia… já lá vai o tempo fundido no hoje, como passado que nunca passa, esmago os dias na crispação das minhas mãos gastas, nado no meu perfume desvirtuado e alimento-me de febre.
Todo eu sou trauma…parte carrossel, que não me apanhas, no trato mel, que não me encontras. Canta na tua senda por onde nunca me vi, e pernoita no lado dentro, onde eu não entro…
Todo eu sou trauma…foge do meu toque, ignora a minha sombra, muda de lado na rua, o vento que me sai, é desalento e actua, é intento nauseante, tão constante…
Morre-me nas minhas cábulas, antes que eu nos morra sem alma, já que todo eu sou trauma…

Texto baseado no filme com o mesmo título.

22/02/2010

IPO “As sombras do Hospital, também têm vida…”

Pressionei a caneta, tinha de escrever sobre…Dei um jeito à dor de costas e apliquei os sentidos em cima de algo…
Invisível é o coração quando tenta remediar as inflamações da nossa sede de cura.
Invisíveis são os passos e em viés são as mãos, que se abrem na tentativa de nos curar.
Os corredores estreitam a passagem da mente, as salas fornecem espaço e utensílios, que a mão humana usa. Os quartos gravam nas paredes o som das cicatrizes e libertam o odor da indisposição.
Espreitei uma porta e vi o enjoo, ainda era jovem tal dona, estava ligada a uma máquina, “quimioterapia” “radioterapia”, não o sei bem!
Andei mais um pouco…“faz-lhe bem andar!” Ora sorrindo, ora filtrando desconforto, falavam aquelas figuras de bata branca!
Ao fim do corredor altos berros indiciavam que mais alguém sofria…desviaram-me os olhos e encaminharam-me até outro lado. Entrei no elevador, subi e desci… Crianças, não é possível! Como foi que Deus se esqueceu delas? Porque é que a pretensa cura os horroriza?
Tenho de chegar rápido ao meu quarto, preciso de me ver…Tenho de apagar os nódulos mentais que avivam o meu receio!
Rodam as rodas da cama, a coberto do lençol um corpo se despede, resignado ou não, encosto-me às paredes e deixo-o ir…
Arrepio-me…tão sofrido cá cheguei, mas só me via! A minha dor parecia única, a mais autêntica!
Tão longe da verdade vão os nossos sentidos! Tão longe e tão nossa aquela dor, que como protecção aferrolha os nossos olhos!
Hoje sei que me vens visitar, pedia-te que me levasses daqui embora… mas não o faço, quero que me vejas num novo EU!
Anda cedo, preciso de partilhar contigo tudo o que puder… de uma vida quase mágica, que a cada passo nos empresta mais alguns segundos.


Carta de alguém que no meio de tantos regressou à vida dizendo… aqui retorno… com novas “ferramentas”, para cultivar pequenas flores de uma existência, feita de segundos…

15/01/2010

A INÉRCIA DO ARRASTO [com que choramos rotina]

Inerte, molhado, gotícula do dia calado, estremunhado, roubo de direito forçado.

ninguém canta lamento, apenas o vento, arrasto de grito, surdo aflito____________olhar calado que diz__________ [AMA-ME em BIS!]

12/01/2010

29/12/2009

365/366




O caos é o flamância escurecida na borrasca gástrica. Ardente depósito de gelo caldeado em borbulhento juízo. O caos amanhece não pairo de asas fracturadas. Ele é, estremecimento febril acometido num imerso manto inumado em degredo.
Cria-se uma rota na qual o rosto quadrado imortalizou a indiferença, conspurco é, nas vestes sumptuosas do rei… rasguem-se em Dezembro imperfeição e renova-se em Janeiro esmero.

11/12/2009

SONHO DE NATAL

Naquela terra lá para os lados do pôr-do-sol existe uma linda capelinha voltada de costas para o arvoredo e de frente para a população carente do "Bairro Do Fim do Mundo".
Tem dias que a capelinha recebe uma visita, tem outros que recebe duas e nunca mais de três. Reclama-se lá no bairro a não cura dos males, por isso quase todos dizem que não são crentes!
Nesse diz que diz acontece que certas pessoas esqueceram-se do valor espiritual e acreditam tão-somente que não vale a pena lutar pelos bens do mundo, já que o mal toca-lhes sempre. Afirmam!
Porém há uma figura esquecida que todos os dias olha pelos canteiros de flores existentes em redor da pequena capela. Não raras vezes tem que reparar os estragos dos "revoltados", que vandalizam o minúsculo adro partindo tudo, grafitando as paredes de dizeres obscenos.
O Natal aproxima-se a passos largos e aquela figura encoberta pelo capote encardido, com receio que lhe estraguem o pequeno canto das sua orações, resolve fazer guarda noite e dia ao seu espaço de encontro com o invisível. Está tão habituado ao frio, como o frio ao homem que dorme ao relento, por isso o frio da noite, que quase o mata, sabe da sua existência, assim é, que não vai estranhar a sua presença e se calhar ainda lhe manda uma noite branca.
Na direita da capelinha encontra-se uma varanda um pouco mais larga e aconchegante do que aquelas a que está habituado. Por isso com a ajuda de um bidão a arder enganará o frio na incerteza da noite certa.
Naquela noite de 24 de Dezembro sentia o mundo como nunca, lembrava o passado amargo num murmuro de solidão do riso em passadas perras de cansaço, de onde o recanto da rua levanta chama, que aquece as mãos do defeito, num jornal que cobre a sua mancha humana.
O que sobra são tonalidades de um negro nocturno, são candeias de azeite seco na sua torcida, que se mistura com o coma de jornada adormecida.
Mesmo ali, os bidões continuam a arder, ali ele queima as suas origens, ali faz derreter o perfume da sua descendência, que o "espírito" hipnotiza em golfadas de Botelha, estaladas nuns lábios ásperos da equimose vontade de chegar perto da querida saudade.
Triste como a noite fala para as estrelas e diz-lhe! Os meus passos são como esmolas pedidas na avenida da Cavidade. Caminho clandestino num forçar de portas, sou eu e mais alguém desconhecidos da voz.

(E as estrelas respondem: caminha para além da claridade dos teus olhos, entrega ao incerto a tua sabedoria inconsciente e deixa-nos guiar o teu sonho, por uma viagem de gravidade e uma bela confusão de lágrimas de saudades e advinhas repletas de SIM)
Estão rotos os meus sapatos de tanta caminhada em singela "homenagem" ao peregrino desconhecido. O tempo já quase não conta os quilómetros da estrada, avizinha-se tempestade, águas calmas ou nada.
E então pensa. Sou velho com todas as letras, na senda do desmaio esqueci a dor do raio, a cor de Maio. Sou arcaico das minhas costas, sou a mensagem sem respostas. Ninguém me vê, sou apenas a sombra de uma pesada espécie, que de vez em quando recolhe a pena de ser "coitado" e logo adormece.
Triste como a vida que levava, lá adormeceu!
O momento que se seguiu foi em sonho que chegou até aos sentidos adormecidos do ancião.
Começou na voz. – (Entra cá para dentro enquanto eu fico de vigia! – E continuou: confia em mim esta noite nada de mal vai acontecer, nem aqui nem em lado algum!)
(Era uma voz misturada com cor e sabor a vento florido. Um som que lhe veio pelos flancos e se derramou pela sua alma como tempestade de estrelas na curva do seu sorriso quase escasso)
Logo fez o que a voz lhe pediu, acomodou-se num cantinho junto ao altar e por lá ficou protegido pela imagem gasta de um Cristo de pau de madeira.
Ao mesmo tempo que se intrigava sentia um estranho poder no som daquela voz de corpo invisível. Parecia-lhe tudo tão real dando-lhe a impressão que se encontrava em dois locais, mesmo que muito perto um do outro, parte dele debaixo da varanda vendo o bidão soltar um leve fumo misturado com a cor fogo alaranjada e a outra parte naquele cantinho junto ao altar.
A voz continuou! (- Hoje sou eu que vou cuidar dos teus canteiros de flores! Por isso descansa enquanto vou até lá fora humanizar aqueles que te ignoram.)
Algumas horas depois…

Passadas essas horas...

Na pequena claridade da janelinha penetra um raio, lá dentro um corpo deitado acorda estremunhado e abre uma pestana, e a seguir outra, lentamente volteia o olhar pelas paredes, aproxima os olhos do altar, incrédulo pergunta-se como veio parar dentro da capelinha? Como tinha o corpo quente sem sinal de frio algum? Mas numa paz como nunca experimentara tenta relembrar algo diferente naquela noite. Levanta-se e sem saber bem porquê logo se ajoelha perante o Cristo empobrecido perguntando-lhe. Como foi que eu aqui entrei? Como foi que me abriste aquela porta? Como vim parar cá dentro? Repete-se! Não respondes? Ou será que não tenho direito a questionar-te? Desisto!

O Silêncio respondeu! (- O chiar das tuas perguntas trouxe-te nada, apenas um silencio em redor da tua desistência. Desistes sem mesmo questionar ao soalho que te ajoelha, o porquê do seu formato e aos bancos de madeira, o porquê do seu cheiro a fé, esperança, amor e principalmente, a humildade da paciência.)
Levantou-se sem respostas e dirigiu-se para a porta fechada. De um momento para o outro a mesma porta escancarou-se sem alguém lhe tocar e num clarão que lhe incomodou a vista abriu-se na luz umas sombras de silhuetas. Do lado de lá do alçado três figuras envergonhadas olharam com receio para o homem que saía porta fora. E rogaram… (Pai, vimos pedir-te perdão e levar-te para casa! Falou o mais velho dos irmãos!)
(Foram esperanças mal amparadas, e deixadas ao relento que lhe iam aquecendo em noites de sussurros de neve e suaves trilhas sonoras dos cachos de ramos secos de uma pele desfigurada pela incapacidade de aquecer a face com um sorriso de real felicidade.)…Sem palavras o curvado ancião deixou cair algumas lágrimas, lembrou-se do sonho, viu os filhos, sentiu-lhe a sinceridade, levantou os olhos ao céu e perguntou. Será que devo? Só ele ouviu o que a voz que lhe disse. – (Vai para perto dos teus, que eu ficarei por aqui cuidando deste cantinho! Há… e sempre que possas vem cá visitar-me!…) O homem "novo"com um gesto de humildade anuiu que sim!
Para trás ficaram apenas as marcas das passadas em pontos negros fechados para sempre, numa porta aberta para novo caminhar. Olhou mais uma vez para a pequenina capelinha do "Bairro Do Fim Do Mundo" e pensou afirmando ao seu consciente. Serás sempre a minha segunda casa! Sorriu com a sua reflexão, para quem não tinha nenhuma de um momento para o outro ficar com duas casas, é brilhante! Este pensamento deixou-o muito feliz…E seguiu abraçado aos filhos na felicidade de o sonho de Natal na verdade acontecido!
(O Bairro do fim do mundo...revelou-se o destino final de seres prontos a aceitar sonhos e realidades desconexas e impostas pela lógica consciente. Foi na eminência de um sonho de Natal, que acreditei que o maior Milagre é a capacidade de fazer da vida uma grande obra de arte, em que o pincel, o martelo, o gesso, a tela, são as nossas esperanças envoltas em papel celofane e cobertas de cheiro de algodão doce.


PS. Este texto ganhou o primeiro prémio em “conto de Natal 2008 ” promovido pela USAF (Universidade Sénior de Felgueiras)

02/12/2009

Fria Humanidade!!!

suturo a minha derme na língua inóspita da Fria Humanidade!!!

Ousei ser só silêncio caldeado nas cordas adormecidas da garganta, mistério com acerto na fileira de uma catedral gélida;

sobrecarga de um insano apóstolo em dúbio, prezado momento ofusco entre os sons de um piano séptico;


Solarei o núcleo atrás de uma vela ardente, joelhos rotos de uma caminhada melódica, JAZZ musical em jazido respirador de células vivas…olharei a ver a ida das nuvens no descobrimento da cor que fica ao cimo do orbe.



23/11/2009

TIC-TAC…Mais que um baque…



assim morderam-se as pontas num pedido bis 1- 2 e mais… apegos de transposição do olhar, transpiração do mesmo;

tão longa a espera, mas tão legitima era, adrenalina a levante do tic. tac. constante batidas de um coração pedinte;



e nos sorrisos que as palmas bateram… batem reflexos de sonho num Sol Maior, acrobacia de palavras cantadas em espelho;
ondulação…
percussão…
musical melodia dos sentidos;
autoridade, chamando, não?!
apelos das notas…
sim!

no trio das artes mistura de tela, pintura de pauta, letras que na manta urgem…expressão nas suaves rugas “euforia” na montra autenticada pela renovada criança.

28/10/2009

MEIO AUSENTE-MEIO PRESENTE, COMO UMA FOLLHA


solidifica-se o dúbio entre a tortura de um achado, panfleto do des-maio sem aspas,
[virtude], não te quero profanada de incenso mortal!




antes a parra que a uva em jardins de alfabetos discordantes!
para que eu... vi-va de palmas faciais...

07/10/2009

O MEU LUTO

Agora que o teu sol se pôs, faz descer até mim as tuas mãos, dá-me o teu eterno carinho, enrola de novo os meus cabelos...Doce, tão doce mãe!!!

Ainda Setembro e bem preguiçoso, no meio da penumbra o dia nascia, tão pequenino! Tal e qual o Outono acabadinho de chegar. Repimpão e manhoso aquele sol atrevido preparava-se para aquecer as colinas, onde os cachos de uvas passado horas e arrancados pelas mãos cálidas se desprenderiam das vinhas a horizonte da falésia. Na enseada aquela criatura de Deus pernoitava em segundos derradeiros. No abrir de olhos reuniu forças e pediu mais uma vez a grande mão em amparo, tentando completar a caminhada que os passos do tempo levariam até mais além… Sorte da memória, ramo de glória em árvore genealógica que acompanha o suspiro até ao último momento, que se solta feito lamento, tal e qual fruto da ramada. Mas o corpo sofrido em rosto gracioso regressa ofegante e deita-se devagarinho no leito. Depôs das suas mãos o testemunho da passagem ao apagar dos olhos... Libertou-se e deixou-se levar pelo sono mais longo, [carícia perfeita da imperfeição terrena!]

A Progenitora…Elevo o meu testemunho ao som inacabado do momento, as minhas mãos serão os elos dos vossos olhos, assim, durante o meu sono poderei libertar a angústia do eclipse.

E…enquanto as lágrimas do vosso luto indagaram o silêncio farto

Cederei o entregar da dolência impune

Para libertar num grito surdo, o som da alma…

Ai de ti… querida mão que seguras o fim…

Num espírito de sinopse entretido no meloso vento

Na madrugada…

Não contesto o quão durável é a minha expiação

Por que eu… acabei de lhes dizer Adeus…


Respondem os filhos dizendo: para quem tanto nos amou… nunca esse “Adeus” terá punição!

20/09/2009

O Culto do Poeta


As mãos são as correntes, elos nos olhos de perfeita imperfeição aos molhos.

Elas unem-se para o unguento em curso global auferindo os lícitos de um olhar.


No fundo do templo, o altar, era o espaço de um abraço acometido ao pranto erro de um cansaço. Levadiças levantam aço, admissões de aparas em amarras, gradeadas de tudo e de nadas. Relento do vento que acoita o momento no colo uterino seduzindo ao abismo, íman colegial de um tal mal, tão apetecível! Mas, a delonga emboscada sonora o impenetrável impele para o sonho de reserva feudal, bocas soltam-se do beijo quente da paixão tão ardente geminando a sentença fatal, onde perece o nosso mal, sono tão eterno de pé em caixão vertical.




Arrasto imponente da mente que lambe palavras no desespero inconsciente, transmuta o beijo da ofídia serpente em encanto do poeta na sua estafeta sem meta. Testemunho da não passagem ao apagar dos olhos, já que…as mãos são as correntes, elos nos olhos de perfeita…tão perfeita im.perfeição aos molhos.

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